OMS declara emergência sanitária global devido ao zika vírus

OMS declara emergência sanitária global devido ao zika vírus

O zika vírus é um risco especialmente para as mulheres grávidas, já que pode causar malformações no feto, como é o caso da microcefalia.
Mosquito que transmite o zika vírus

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o zika vírus como uma emergência de saúde pública mundial, devido ao fato de que a infecção transmitida pelo mosquito Aedes aegypti tem sido relacionada com o aumento da taxa de nascimentos de bebês com doenças neurológicas.

A medida foi tomada por um comitê de especialistas independentes da agência das Nações unidas, que esperam que a mesma sirva para ajudar a acelerar a adoção de medidas internacionais, assim como os respectivos trabalhos de pesquisa.

Após realizar uma reunião de urgência, o comitê encarregado da OMS assegurou que há uma relação “suspeita” entre o vírus transmitido pelo mosquito e o aumento dos casos de microcefalia nos bebês recém-nascidos.

Esta malformação neurológica conduz a uma malformação na cabeça e no cérebro, tornando-nos anormalmente pequenos.

Margaret Chan, a diretora geral da instituição, fez um chamado à população, advertindo que, ainda que o fato não esteja provado cientificamente, o zika constitui uma grande ameaça para a saúde global.

“Os casos de microcefalia e outros transtornos neurológicos, por sua gravidade e pela carga que supõem para a família, constituem uma ameaça por si sós, e por isso decidi aceitar a recomendação do comitê”. Ela declarou.

Além disso, ela voltou a fazer um chamado especial para as mulheres grávidas, pedindo que as mesmas não viajassem a países de alto risco.

Apesar das críticas que recebeu por demorar tanto tempo para tomar esta decisão, a OMS garante que foi um tema difícil de tratar pois, por si só, o zika não é considerado uma doença grave, mas teme-se a sua estreita relação com a microcefalia e doenças como a síndrome de Guillain Barré.

Infelizmente, foi confirmado que o vírus está se propagando rapidamente no mundo, e a previsão é que este ano o número de afetados chegue aos 4 milhões no continente americano.

A prioridade: controlar o mosquito

Pessoa controlando o mosquito do zika vírus

A declaração de emergência global implica maior investimento em pesquisa e nos métodos para controlar a epidemia de forma oportuna.

Com respeito a isso, Chan afirmou que a prioridade agora é controlar o mosquito Aedes aegypty, responsável pela transmissão.

Uma vez mais ela fez um forte chamado aos países afetados para que aumentem as campanhas informativas e as medidas que ajudem a reduzir a presença do mosquito.

No momento a OMS não considera doença como um motivo para restringir as viagens aos países afetados.

No entanto, é aconselhável preparar os serviços especializados em síndromes neurológicas e fortalecer o cuidado pré-natal com o objetivo de reduzir os riscos para as mães que estão grávidas e os recém-nascidos.

Brasil, o país com mais casos reportados

Até o momento o Brasil segue sendo o país com o maior número de casos reportados, não apenas de infectados pelo vírus, mas também de bebês com microcefalia possivelmente associada à doença.

Um relatório recente revelou que há 270 casos confirmados e outros 3449 em investigação, em comparação com os 147 que foram registrados em 2014.

Estima-se que no país da América do Sul existam cerca de 1,5 milhão de pessoas infectadas pelo vírus desde abril do ano passado, seguido pela Colômbia, que informou em um relatório 20 mil casos, entre os quais 2 mil correspondem a mulheres grávidas.

O zika vírus se propagou em 24 países

Mosquito zika vírus

A Organização Panamericana de Saúde (OPS) alertou para o número de 24 países afetados pela propagação do zika, sendo 22 deles na América, um na África e outro no Pacífico.

Até agora a única certeza é que o vírus se transmite através da picada do mosquito Aedes aegypti, ainda que esteja sendo estudada a possibilidade de outras formas de contágio da doença, como por via sexual.

Não existe um tratamento para combater o vírus e o desenvolvimento da vacina poderia demorar um longo período de tempo.

Até hoje, países afetados como a Colômbia, Brasil, Honduras e República Dominicana mantêm a recomendação às mulheres de evitar a gestação em um futuro próximo, pelo menos até que o vínculo entre o zika e os problemas neurológicos do feto seja conhecido com mais certeza.

Além disso, continuam as recomendações para que a população mantenha distância de água parada, utilize repelentes constantemente e roupas que cubram a pele.