Transplante de cabeça: voluntário russo se oferece como primeiro na história - Melhor Com Saúde

Transplante de cabeça: voluntário russo se oferece como primeiro na história

Talvez o título deste artigo surpreenda você, mas para entendê-lo melhor, propomos que você leia a seguinte história.
Transplante de cabeça: voluntário russo se oferece como primeiro na história

Você também pode pensar que todas essas notícias não passam de um sensacionalismo, mas, na realidade, só temos que lembrar do que, na época, a ideia de fazer um transplante de coração significava.

Os avanços na medicina têm ocasionalmente algo sobrenatural, e pode até mesmo ir além do que muitos consideram como moral ou ético. Mas, se por meio dessas técnicas podemos salvar pessoas e oferecer uma boa qualidade de vida, serão bem recebidas.

Hoje, em nosso espaço falamos de um projeto quase inacreditável: o primeiro transplante de cabeça.

Valeri Spriridónov, o primeiro voluntário para um transplante de cabeça

Seu nome é Spriridónov Valeri, tem 30 anos e é um programador de computadores. Se você quiser saber por que um jovem gostaria de ser voluntário, é simples: este menino sofre de atrofia muscular, e logo perderá toda a sua mobilidade.

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Ele tinha apenas um ano de idade quando foi diagnosticado com a doença chamada Werdnig-Hoffman. Sua vida é uma espécie de contagem regressiva em que, a cada dia, seu corpo vai se tornando sua própria prisão.

Aos poucos, sua medula espinhal vai sendo mais afetada e, embora não deram muitas garantias de passar do seu primeiro ano de vida, Victor Spiridonov já vive há mais de 29 anos. O que lhe espera então? Ninguém sabe, mas o que é muito claro é que nunca veremos um rosto envelhecido.

O cirurgião e arquiteto deste projeto e que iria realizar o seu transplante de cabeça seria o neurocirurgião Sergio Canavero. Como ele mesmo explicou a Victor: “pessoas que sofrem de atrofia muscular espinhal têm prioridade neste tipo de operação”.

Você vai se surpreender ao saber que foi o próprio jovem quem contatou o médico depois de encontrar informações na Internet. Sua família aprovou sua ideia e, hoje, o transplante de cabeça é a única esperança deste programador russo.

“Eu tenho medo, é claro, mas eu não tenho outras opções. Este experimento é o equivalente ao voo de Yuri Gagarin e eu me sinto animado, apesar de saber que eu posso morrer na operação”.

Victor Spiridonov

Sergio Canavero: “O transplante de cabeça é possível”Homem-no-computador

Nós falamos sobre a pessoa que se ofereceu para o primeiro transplante de cabeça. Agora, encontramos o homem que vai realizar esta operação quase impossível: Sergio Canavero.

 Ele é neurocirurgião no hospital Molinette em Turim, e em junho deste ano, mais uma vez expôs sua ideia na conferência anual da Academia Americana de Neurologistas e Cirurgiões Ortopédicos em Maryland (Estados Unidos).

As ideias básicas são as seguintes:

  • Em 1970 Sergio Canavero realizou um transplante de cabeça em um chimpanzé, mas não foi bem sucedido. O animal não conseguia se mover. A razão? A medula espinal não se aderiu como devia e o animal morreu pouco tempo depois. É triste, sem dúvida.
  • Ele explica que hoje teria sucesso e as partes cortadas da medula espinal ficariam perfeitamente unidas entre si por uma substância química descoberta, chamada polietileno-glicol.
  • É necessário, como você já pode imaginar, um doador. Uma pessoa recentemente falecida vai fornecer o seu corpo à ciência, como tem sido feito com outros órgãos.
  • De acordo com Sergio Canavero, seriam necessárias 150 pessoas para levar a cabo a operação e também é preciso a aprovação de um comitê de ética, e dez milhões de euros para criar o laboratório apropriado.
  • A operação duraria 36 horas. E, acreditemos ou não, tudo isso poderia ser realizado dentro de dois anos, tempo suficiente para dar uma nova oportunidade a Victor Spiridonov.

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Isso parece ser esperançoso para pessoas tetraplégicas, para os pacientes como o próprio Victor e para aqueles pacientes que sofreram um acidente traumático e que, hoje, estão em uma cadeira de rodas.Caminhar

 

O próprio cientista nos diz que antes da operação o paciente terá que ser induzido a um coma para depois, implantar alguns eletrodos na coluna para estimular a criação de novas conexões nervosas.

Depois disso, se procederá à união da espinha dorsal da cabeça com a do corpo do receptor. É um processo tanto complexo como trabalhoso onde se usará o produto químico acima mencionado. Com ele, tudo ficará unido. Finalmente se fará a sutura dos músculos e vasos sanguíneos.

Se tudo correr bem, o paciente levaria mais de um ano para voltar a andar, período durante o qual o cérebro deverá se acostumar a reagir a este novo órgão. No entanto, outros problemas também poderiam se apresentar… A própria pessoa aceitaria esse corpo estranho? O veria como seu?

A complexidade pode ir além dos nervos e da medula espinhal. A nossa consciência também deve enfrentar este desafio. Veremos então como o tema avançará.